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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Semântica


A semântica estuda o significado das palavras.
Conhecer o significado das palavras é importante, pois só assim o falante ou escritor será capaz de selecionar a palavra certa para construir a sua mensagem.
Por esta razão, é importante conhecer fatos linguísticos como: sinônimosantônimos, homônimosparônimospolissemiadenotaçãoconotaçãofiguras e vícios de linguagem.
SINONÍMIA (sinônimos): palavras que possuem significados iguais ou semelhantes.
Sabemos que A Semântica é a parte da linguística que estuda o significado das palavras, a parte significativa do discurso. Cada palavra tem seu significado específico, porém podemos estabelecer relações entre os significados das palavras, assemelhando-as umas às outras ou diferenciando-as segundo seus significados.
SINONÍMIA: Sinonímia é a divisão na Semântica que estuda as palavras sinônimas, ou aquelas que possuem significado ou sentido semelhante.
Algumas palavras mantêm relação de significado entre si e representam praticamente a mesma ideia. Estas palavras são chamadas de sinônimos.
Ex: certo, correto, verdadeiro, exato.
Sendo assim, SINÔNIMOS são palavras que possuem significados semelhantes.
A contribuição greco-latina é responsável pela existência de numerosos pares de sinônimos:
  • Adversário e antagonista;
  • Translúcido e diáfano;
  • Semicírculo e hemiciclo;
  • Contraveneno e antídoto;
  • Moral e ética;
  • Colóquio e diálogo;
  • Transformação e metamorfose;
  • Oposição e antítese.
ANTONÍMIA (antônimos): palavras que possuem significados diferentes.
ANTONÍMIA: É a relação entre palavras de significado oposto
Outras palavras, ainda, possuem significados completamente divergentes, de forma que um se opõe ao outro, ou nega-lhe o significado. Estas palavras são chamadas de antônimos.
Ex: direita / esquerda, preto / branco, alto / baixo, gordo / magro.
Desta forma, ANTÔNIMOS são palavras que opõem-se no seu significado.
Observação: A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido oposto ou negativo:
  • Bendizer e maldizer;
  • Simpático e antipático;
  • Progredir e regredir;
  • Concórdia e discórdia;
  • Ativo e inativo;
  • Esperar e desesperar;
  • Comunista e anti­comunista;
  • Simétrico e assimétrico.
PALAVRAS HOMÔNIMAS: são iguais no som e/ou na escrita, mas possuem significados diferentes. Dividem-se em: homônimas perfeitas, homônimas homógrafas, homônimas homófonas.
HOMÔNIMAS PERFEITAS
São palavras que possuem a mesma pronúncia, a mesma grafia, porém as classes gramaticais são diferentes. Exemplos:
- Caminho (substantivo) - Caminho (verbo caminhar)
- O caminho para a minha casa é muito movimentado.
- Eu caminho todos os dias.
- Cedo (Advérbio) - Cedo (verbo ceder)
- Eu cedo livros para a biblioteca.
- Levantou cedo para estudar.

 HOMÔNIMAS HOMÓGRAFAS
São palavras que possuem a mesma grafia, porém a pronúncia é diferente.
- Colher (substantivo) - Colher (verbo colher).
-Eu comprei uma colher de prata.
- Chamei minha vizinha para colher frutas na horta da fazenda.
- Começo (substantivo) - Começo (verbo)
- O começo do filme foi muito legal.
- Eu começo a entender este livro.

HOMÔNIMAS HOMÓFONAS
São palavras que possuem a mesma pronúncia, porém a grafia e o sentido são diferentes.
Serrar - Cerrar
serrar: cortar
cerrar: fechar
Cassar - Caçar
cassar: anular
caçar: procurar (alimento);
LISTA COM ALGUNS HOMÔNIMOS
Acender: pôr fogo
Ascender: subir
Coser: costurar
Cozer: cozinhar
Cheque: ordem de pagamento
Xeque: lance de jogo de xadrez
Espiar: observar, espionar
Expiar: sofrer castigo
Cessão: ato de ceder
Seção: divisão
Sessão: reunião
PALAVRAS PARÔNIMAS
São palavras parecidas na pronúncia e na grafia, mas com significados diferentes.
Discriminar - Descriminar
Discriminar: separar, listar
Descriminar: inocentar
Desapercebido - Despercebido
Desapercebido: desprovido, quem não está ciente, quem não tomou consciência (é derivado do verbo aperceber-se, que significa tomar ciência).
Despercebido: não percebido (é derivado do verbo perceber).
LISTA COM ALGUNS PARÔNIMOS
Absolver: perdoar
Absorver: sorver
Incidente: episódio
Acidente: desastre
Ratificar: confirmar
Retificar: corrigir
Destratar: tratar mal, insultar
Distratar: romper um trato, desfazer
POLISSEMIA
A mesma palavra apresenta significados diferentes que se explicam dentro de um contexto.
- O menino queimou a mão. (Parte do corpo)
- Dei duas demãos de tinta na parede. (Camadas)
- Ninguém deve abrir mão de seus direitos. (Deixar de lado, desistir)
- A decisão está em suas mãos. (Responsabilidade, dependência)
POLISSEMIA E HOMÔNIMOS PERFEITOS
Polissemia: é resultante dos diferentes significados que uma palavra foi adquirindo através dos tempos.
Homônimos perfeitos: grafia e som iguais, porém as classes gramaticais são diferentes.
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO
As palavras podem ser usadas com o seu significado original, real (denotação) ou com um significado novo, diferente do original (conotação).
- O gato da minha vizinha sempre brinca comigo. (Denotação – animal de estimação)
- Eu acho aquele ator o maior gato. (Conotação - bonito)
Quando usamos a linguagem em seu sentido figurado, estamos fazendo uso das diversas figuras de linguagem que existem (metáfora, metonímia, prosopopeia, hipérbole, etc.)
FIGURAS DE LINGUAGEM
São recursos usados pelo falante para realçar a sua mensagem.

1) ELIPSE – ZEUGMA
Veja os exemplos:
1-Na estante, livros e mais livros.
2-Ele prefere um passeio pela praia; eu, cinema.
No 1º exemplo temos uma elipse, já no 2º, a figura que aparece é o zeugma.
A elipse consiste na omissão de um termo que é facilmente identificado.
No exemplo 1, percebemos claramente que o verbo “haver” foi omitido.
No exemplo 2, ocorre zeugma, que é a omissão de um termo que já fora expresso anteriormente.
“Ele prefere um passeio pela praia; eu, (prefiro) cinema.” (Não houve necessidade de repetir o verbo, pois entendemos o recado).

2) PLEONASMO
Na oração: “Ela cantou uma canção linda!”, houve o emprego de um termo desnecessário, pois quem canta, só pode cantar uma canção.
Na famosa frase: “Vi com meus próprios olhos.”, também ocorre o mesmo.
Pleonasmo é a repetição de ideias

3) HIPÉRBATO
Exemplos:
Correm pelo parque as crianças da rua.
Na escada subiu o pintor.
As duas orações estão na ordem inversa.
O hipérbato consiste na inversão dos termos da oração.
Na ordem direta ficaria:
As crianças da rua correm pelo parque.
O pintor subiu na escada.

4) ANACOLUTO
É a falta de nexo que existe entre o início e o fim de uma frase.
Dois gatinhos miando no muro, conversávamos sobre como é complicada a vida dos animais.
Novas espécies de tubarão no Japão, pensava em como é misteriosa a natureza.

5) SILEPSE
É a concordância com a ideia e não com a palavra dita.
Pode ser: de gênero, número ou pessoa.
SILEPSE DE GÊNERO (masc./fem.) Vossa Excelência está admirado do fato?
O pronome de tratamento “Vossa Excelência” é feminino, mas o adjetivo “admirado” está no masculino. Ou seja, concordou com a pessoa a quem se referia (no caso, um homem).
Aqui temos o feminino e o masculino, logo, silepse de gênero.
SILEPSE DE NÚMERO (singular/plural)
Aquela multidão gritavam diante do ídolo.
Multidão está no singular, mas o verbo está no plural. “Gritavam” concorda com a ideia de plural que está em “multidão”.
Mais exemplos.
A maior parte fizeram a prova.
A grande maioria estudam uma língua.
SILEPSE DE PESSOA
Todos estávamos nervosos.
Esta frase levaria o verbo normalmente para a 3ª pessoa (estavam - eles) mas a concordância foi feita com a 1ª pessoa (nós). Temos aqui 2 pessoas (eles e nós) logo, silepse de pessoa.
Mais exemplos:
As duas comemos muita pizza.(elas – nós)
Todos compramos chocolates e balas.(eles – nós)
Os brasileiros sois um povo solidário. (eles – vós)
Os cariocas somos muito solidários.(eles – nós)

6) METÁFORA – COMPARAÇÃO
1-Aquele homem é um leão.
Estamos comparando um homem com um leão, pois esse homem é forte e corajoso como um leão.
2-A vida vem em ondas como o mar.
Aqui também existe uma comparação, só que desta vez é usado o conectivo comparativo: como.
O exemplo 1 é uma metáfora e o exemplo 2 é uma comparação.
Exemplos de metáfora.
Ele é um anjo.
Ela uma flor.
Exemplos de comparação.
A chuva cai como lágrimas.
A mocidade é como uma flor.
Metáfora: sem o conectivo comparativo.
Comparação: com o conectivo (como, tal como, assim como)

7) METONÍMIA
Aqui também existe a comparação, só que desta vez ela é mais objetiva.
Ele gosta de ler Agatha Christie.
Ele comeu uma caixa de chocolate.
(Ele comeu o que estava dentro da caixa)
A velhice deve ser respeitada.
Pão para quem tem fome.(“Pão” no lugar de “alimento”)
Não tinha teto em que se abrigasse.(“Teto” em lugar de “casa”)

8) PERÍFRASE - ANTONOMÁSIA
A Cidade Maravilhosa recebe muitos turistas durante o carnaval.
O Rei das Selvas está bravo.
A Dama do Suspense escreveu livros ótimos.
O Mestre do Suspense dirigiu grandes clássicos do cinema.
Nos exemplos acima notamos que usamos expressões especiais para falar de alguém ou de algum lugar.
Cidade Maravilhosa: Rio de Janeiro
Rei das Selvas: Leão
A Dama do Suspense: Agatha Christie
O Mestre do Suspense: Alfred Hitchcock
Quando usamos esse recurso estamos empregando a perífrase ou antonomásia.
Perífrase, quando se tratar de lugares ou animais.
Antonomásia, quando forem pessoas

9) CATACRESE
A catacrese é o emprego impróprio de uma palavra ou expressão por esquecimento ou ignorância do seu real sentido.
Sentou-se no braço da poltrona para descansar.
A asa da xícara quebrou-se.
O pé da mesa estava quebrado.
Vou colocar um fio de azeite na sopa.

10) ANTÍTESE
Emprego de termos com sentidos opostos.
Ela se preocupa tanto com o passado que esquece o presente.
A guerra não leva a nada, devemos buscar a paz.

11) EUFEMISMO
Aquele rapaz não é legal, ele subtraiu dinheiro.
Acho que não fui feliz nos exames.
O intuito dessas orações foi abrandar a mensagem, ou seja, ser mais educado.
No exemplo 1 o verbo “roubar” foi substituído por uma expressão mais leve.
O mesmo ocorre com o exemplo 2 , “reprovado “ também foi substituído por uma expressão mais leve.

12) IRONIA
Que homem lindo! (quando se trata, na verdade, de um homem feio.)
Como você escreve bem, meu vizinho de 5 anos teria feito uma redação melhor!
Que bolsa barata, custou só mil reais!

13) HIPÉRBOLE
É o exagero na afirmação.
Já lhe disse isso um milhão de vezes.
Quando o filme começou, voei para casa.

14) PROSOPOPEIA
Atribuição de qualidades e sentimentos humanos a seres irracionais e inanimados.
A formiga disse para a cigarra:” Cantou...agora dança!”

Certas vezes, o falante desconhece algumas normas gramaticais e comete alguns erros, em outras ocasiões, ele simplesmente é descuidado e acaba (ao falar ou escrever) unindo sílabas que formam um som desagradável ou obsceno.
Todos estes desvios são chamados: 

vícios de linguagem

Os principais são: barbarismo, solecismo, cacofonia, ambiguidade e redundância.

BARBARISMO: são desvios na grafia, na pronúncia ou na flexão.
Pograma (em vez de programa)
brica (em vez de tonificar o – bri -, rubrica)
- Etmologia (em vez de etimologia, com – i -)
- Quando eu pôr o vestido. (O certo seria - Quando eu puser o vestido)
- O policial interviu. (O certo seria interveio)

Observação: quem abusa das palavras estrangeiras grafando-as como na língua original, também comete barbarismo.
Abajur: e não “abat-jur”.
Coquetel: e não “cocktail”.

SOLECISMO: Desvio na sintaxe.
Exemplo: “Houveram eleições para representante de turma.”
O certo é “Houve…” (erro de concordância)
- Assisti esse filme no cinema.
O certo é “Assisti a esse…” (erro de regência)
CACOFONIA: Som desagradável ou obsceno.
- Hilda ganhou um prêmio.
- A boca dela está sangrando.

AMBIGUIDADE: Duplo sentido.
- O cachorro do seu irmão avançou na minha amiga. (Cachorro pode ser o animal (cão), ou uma qualidade (vagabundo, assanhado) para irmão

REDUNDÂNCIA: é a repetição de ideias.
- Maria subiu lá em cima para ver o balão.
- José inventou novos brinquedos para o filho.
OBS: Não há redundância em “intrometer-se no meio” e “voltar-se para trás”.

Uma pessoa pode intrometer-se no início, meio ou fim de uma conversa, assim como alguém pode voltar-se para o lado.






segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Elementos de Construção de Texto e seu Gênero



Gênero do Texto

=> Textos literário e não literário

Os diferentes tipos de textos devem-se, principalmente, às diferenças de finalidade/função e ao público destinatário de cada um deles.

Fique atento: as funções da linguagem ajudam a diferenciar um texto literário de um texto não literário.

Para perceber se um texto é ou não literário, é preciso analisar sua função predominante, isto é, qual é seu objetivo principal. Se este for informar algo de modo objetivo, de acordo com os conhecimentos que se tem da realidade exterior, ou se tiver um compromisso com a verdade científica, o texto não é literário, mesmo que, ao elaborar a linguagem, seu autor tenha feito uso de figuras de estilo, utilizado recursos estilísticos de expressão. O texto literário trata de um assunto/problema concreto da realidade. A função predominante neste tipo de texto é a referencial.

Já o texto literário não tem essa função nem esse compromisso com a realidade exterior: é expressão da realidade interior e subjetiva de seu autor. São textos escritos para entreter, emocionar e sensibilizar o leitor; por isso muitas vezes utilizam a linguagem poética. Esse tipo de texto cria uma história ficcional a partir de dados da realidade. A função emotiva e a poética predominam no texto literário.
São esses os critérios que devemos considerar ao analisar e classificar um texto em literário ou em não literário.

Exemplos de textos não literários: notícias e reportagens jornalísticas, textos de livros didáticos, textos científicos em geral, manuais de instrução, receitas culinárias, bulas de remédio, cartas comerciais etc.

Exemplos de textos literários: poemas, romances literários, contos, novelas, letras de música, peças de teatro, crônicas etc.

Perceba que existem publicações que veiculam textos dos dois tipos. Os jornais e as revistas, por exemplo, que, além de notícias e reportagens, contêm fotos, desenhos, charges, passatempos, receitas, resenhas, sinopses, resumos, poemas, crônicas, editoriais etc.

=> Texto Argumentativo

É o texto em que defendemos uma idéia, opinião ou ponto de vista, uma tese, procurando (por todos os meios) fazer com que nosso ouvinte/leitor aceite-a, creia nela.
Num texto argumentativo, distinguem-se três componentes: a tese, os argumentos e as estratégias argumentativas.

=> Texto Narrativo

Um texto narrativo e um tipo de texto em que tem personagens, tempo, lugar, ação e narrador. E apresenta uma sequência lógica (introdução/desenvolvimento/conclusão…
Pode aparecer escrito em verso ou em prosa.

=> Texto Descritivo

No texto descritivo, por isso, os tipos de verbos mais adequados (mais comuns) são os VERBOS DE LIGAÇÃO (SER, ESTAR, PERMANECER, FICAR, CONTINUAR, TER, PARECER, etc.), pois esses tipos de verbos ligam as características - representadas linguisticamente pelos ADJETIVOS - aos seres caracterizados - representados pelos SUBSTANTIVOS.

Ex. O pássaro é azul . 1-Caractarizado: pássaro / 2-Caracterizador ou característica: azul / O verbo que liga 1 com 2 : é
ão
Num texto descritivo podem ocorrer tanto caracterizações objetivas (físicas, concretas), quanto subjetivas (aquelas que dependem do ponto de vista de quem descreve e que se referem às características não-físicas do caracterizado). Ex.: Paulo está pálido (caracterização objetiva), mas lindo! (Caracterização subjetiva).



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